PuntoGal

O nosso boletim por e-mail conta já com 2.886 leitores. Subscreve-te!
Código Cero

Diário de Novas Tecnológicas da Galiza

Roberto Vieito desvela desde o Mestrado de Caixanova a realidade do software livre na Galiza

quarta-feira 2 de Abril do 2008, por Fernando Sarasqueta | | Partilhar

Apesar de que o software livre surgiu antes que o privativo, durante um período muito significativo da ainda curta história da informática esteve baixo a sombra deste último e dos interesses que nele têm um bom número de importante empresas e estados. Dentro da problemática ligada a esta situação encontra-se a xénese do grande nível de desconhecimento sobre as suas vantagens e filosofia que ainda existe a todos os níveis das instituições públicas, do âmbito empresarial e da sociedade em geral.
O passo para reverter esta situação, e para que o código aberto ocupe o lugar que lhe corresponde por direito, encontra-se precisamente em dar-se a conhecer, e em que a sociedade seja consciente dos benefícios e melhoras que achega, tal como assinala Roberto Vieito (aluno do Mestrado em Software Livre de Caixanova, a Universidade Rey Juan Carlos e Igalia), responsável por um estudo relativo ao estado de adopção do código aberto nas empresas galegas (utentes e produtoras de software) e contextualizado no marco geral das TIC a nível mundial, e que podemos ver já na forja de Morfeo .
Este trabalho, chamado Um estudo sobre Software Livre nas Companhias Galegas, surge com a ânsia de ser útil e de tomar-lhe as medidas a Galiza para descobrir o que melhor lhe acae. E, neste intre, assinala Vieito, o que menos precisa uma realidade TIC coma o nosso (profundamente diferente à do Sillicon Valley) é um único fato feito à medida do software fechado. Dito de outro modo: apostar desde o âmbito público pela programação privativa na Galiza é como defender aqui os interesses das empresas californianas.
-Brevemente, que é o que tocas no teu trabalho de investigação para o Mestrado em Software Livre de Caixanova e Igalia que não se tocasse até o de agora? Para onde apontas?
-A novidade do meu trabalho de investigação encontra na integração de dados. A Conselharia de Inovação e Indústria está a levar a cabo um grande labor de estudo do software livre, mas nos resultados publicados sempre deitei em falta a presença de informação que servisse para contextualizalos no marco espanhol, europeu e mundial no que se desenvolvem tanto o software livre como a inovação. O meu estudo, partindo dos dados publicados por entidades de contrastado prestígio, trata de construir uma visão global e contextualizada sobre o código aberto na Galiza, partindo sempre da necessária consistencia estatística para poder extrair conclusões certeiras.
-Em que ponto da investigação te encontras agora?
-O meu objectivo inicial está quase coberto, em tanto que o trabalho de investigação está facto e, como resultado do mesmo, existe um estudo disponível ao público em geral, e que em seguida vai ser publicado em meios especializados (agora está em fase de revisão da correctitude do inglês). Ainda assim, a minha ânsia é dar-lhe continuidade ao estudo, de modo que no mesmo se incorporem dados que recentemente vêm de ser publicados, como são o caso da versão 2007 do estudo sobre o Software Livre nas Entidades da Galiza, ou os dados de penetración do mesmo em Estremadura no passado ano.
-Podemos vê-lo em alguma ligazón?
-Por suposto, a versão sobre a que se está a rematar a revisão do inglês encontra-se na forja que empregamos no Mestrado. Pelo que respeita à versão definitiva do trabalho, publicar-se-á em meios de ampla difusão como www.firstmonday.dk e em canais especializadas. Todas elas serão axeitadamente apontadas desde a forja, e permitirão um acesso totalmente livre aos contidos do estudo.
-Achas que pode servir de proveito para algum utente, colectivo, instituição ou futura empresa?
-A utilidade é precisamente um dos motivadores principais que me animaram a levar a cabo este trabalho. Devido ao seu enfoque, o estudo permite tanto monitorizar o estado do software livre na Galiza (útil para as instituições que fomentam o seu emprego ou que querem usá-lo) como conhecer a importância económica que actualmente tem e que a Comissão Européia estima que vai ter no curto e médio prazo (perspectivas muito importantes para fomentar vontade emprendedora ligada ao software livre e para abrir linhas de negócio neste sector). Finalmente, o estudo também achega uma série de medidas que podem favorecer a penetración deste tipo de programas de fontes abertas na Galiza, informação de valor para muitos colectivos.
-Mais em termos xenéricos, há algo sobre o software livre a nível mundial que não se dissesse? Depáranos mais surpresas este conceito aberto da informática e dos seus recursos?
-Mais que valorar se ficam coisas por dizer ou não arredor do software livre, eu faria fincapé no âmbito da difusão: pode que já se dissesse tudo o que se pode dizer sobre este tema, mas na sociedade e no mundo empresarial segue a haver um enorme esvazio de conhecimento sobre o open source, a sua filosofia, vantagens, modelos de negócio, etc. O problema está em que parece que toda a informação que há disponível sobre o código aberto, na prática, não é conhecida nem pela sociedade em geral nem pelo âmbito empresarial em particular. O software livre já é em sim mesmo um conceito surpreendente, já que prima as liberdades dos utentes e dos programadores sobre o negócio, e se desenvolve sobretudo de maneira altruísta e distribuída. Se este modo de perceber o software se extrapola a outros âmbitos, como pode ser a produção artística, as surpresas serão múltiplas e possivelmente muito gratas.
-Que é o que achas que lhe daria mais riqueza ao tecido económico galego e, em última instância, à sua sociedade, um conceito de software fechado, proteccionista com o de seu, ou algo mais ligado ao código aberto, mais baseado na colaboração?
-Em termos gerais os modelos de negócio baseados na filosofia da programação de fontes abertas são mais ajeitados para as companhias TIC galegas, já que estas empresas na sua maior parte oferecem serviços, e o software livre achega-lhes vantagens competitivas (desde o ponto de vista de acesso ao código, suporte, facilidade de desenvolvimento sobre ferramentas amplamente testadas e melhoradas pela comunidade, custos, etc) que o software privativo não pode. Para as empresas do resto de sectores, e para o conjunto da sociedade, a fonte aberta representa na prática uma maneira de poupar custes em infra-estrutura tecnológica e de evitar a criação de mercados cautivos dos produtos e formatos fechados de um conjunto de empresas. Contudo, há que mencionar que os modelos de negócio baseados no software privativo também são a base de negócio de uma série de empresas TIC galegas, cuja actividade principal consiste no desenvolvimento de um produto informático próprio, punteiro, que compete a nível internacional. Devido a isto, a correcta convivência de ambos modelos seguramente seja a melhor fórmula de enriquecimento do tecido económico galego.
-Achas que as instituições galegas estão fazendo bastante a favor do software livre? Achas que é obriga de uma administração apostar sempre por este conceito da informática? Por que?
-A minha opinião é que o trabalho a favor do software de fontes abertas nas instituições galegas está muito desequilibrado: existem instituições e entidades que estão a fazer um bom trabalho para fomentar o seu uso (nomeadamente a Conselharia de Inovação e Indústria), mas também existem outras muitas que têm um envolvimento nula (por desgraça, podemos observar com verdadeira frequência como desde entidades públicas galegas se leva a cabo a compra maciça de licenças de uso de aplicações privativas sem fazer um estudo prévio que lhes indique a conveniência ou não de fazê-lo). Estes factos salientam a necessidade de que as políticas relacionadas com as TIC e com o software livre tenham que ser transversais não só na teoria, senão também na prática. O labor de uma administração, em abstracto, é procurar o bem para o seu administrados. Desde este ponto de vista, não acho que seja obriga de todas as administrações apostar no software livre; seguramente nos estados de Califórnia e Washington seja mais beneficioso para os seus habitantes que as suas instituições apoiem às empresas locais (principais produtoras mundiais de software privativo) em lugar de apoiar ao software livre. Desde logo no caso da Galiza, e do resto de lugares do mundo cujas empresas TIC não se fundamentam em modelos de negócio baseados no software privativo, considero que fomentar (de modo estudado e responsável) o uso do código aberto é uma obriga para as suas instituições.
-Para onde se dirige a Sociedade da Informação inteira? Como achas que será dentro de vinte anos a actividade empresarial vinculada à Rede?
-Difícil questão. Aventurar-me-ei a dizer que a tendência da Sociedade da Informação é para constituição de uma sociedade em rede na que praticamente toda a pessoa e aparelho estejam conectados a internet e empreguem o conhecimento aí disponível para levar a cabo as suas tarefas de modo óptimo. Os primeiros degraus deste percorrido já estão a ser transitados hoje em dia, mas a integração actual da rede nas nossas vidas quotidianas palidece em comparação com como vai ser dentro dos próximos anos. Vinte anos é um período temporário muito comprido desde o ponto de vista da história da informática. Em vinte anos, a Rede será bem mais que uma infra-estrutura electrónica e tecnológica, e a presença nela será algo totalmente imprescindível para a prática totalidade das actividades empresariais (ao igual que hoje em dia é totalmente imprescindível contar com telefone). Devido a isto, é muito importante solucionar os problemas que ainda hoje em dia existem na Galiza para conectar-se a internet (como por exemplo a famosa Telefonia Celular de Acesso Rural), e fomentar e incentivar agresivamente a actualização tecnológica e a presença em Internet das empresas galegas.

 

Grupo Código Zero Comunicação, S.L.
Rua Conxo de Arriba 49- 1 C
15706 Santiago de Compostela
Telefone-fax:981 53 02 68

 RSS