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Diário de Novas Tecnológicas da Galiza

Os responsáveis pela Voz de Vilalba querem contribuir a normalizar as redes na comarca

quarta-feira 5 de Março do 2008, por Fernando Sarasqueta | | Partilhar

Os trabalhos de posta em valor não se limitam às aldeias e vilas, às línguas ou aos oficios. A Rede dá muito jogo, e mesmo já há quem está a recuperar velhas iniciativas de comunicação acostumando-as aos novos tempos, dando-lhes um toque de participação activa mas respeitando o espírito original. No caso do que vamos falar, o da posta em valor da Voz de Vilalba através da Rede, o espírito original era o de contribuir a ter melhor informados aos perto de 17.000 habitantes que tinha a câmara municipal chairego a começos dos anos oitenta. Agora, graças a Internet, haverá mais olhos para ler e mais vozes que escutar, achegando recursos como foros sobre vida política, educativa e social ou novas com possibilidade de serem comentadas pelos internautas.
Ao mesmo tempo, o que se pretende é contribuir à normalização das novas tecnologias nesta comarca, oferecendo um tipo de informação que sirva de porta de entrada: a informação local.
Do projecto já falamos a semana passada nesta mesma web, mas agora retomámo-lo para que seja um dos responsáveis directos desta tarefa de refundação o que nos fale a varejo dos porqués destas duas vidas (uma papel, nos anos oitenta, e outra agora na internet) da Voz de Vilalba.
Falamos portanto com Moncho Paz (no centro da imagem), membro da equipa que pôs em marcha a edição original, integrado também por Paulo Naseiro e Mario Paz. Na sua opinião, não só se recupera assim um projecto jornalístico, senão também uma experiência que marcou três vidas.
-Como surgiu isto de recuperar o vosso jornal deitando mão agora das novas tecnologias? Sois amigos desde aquela e mantendes o contacto? Estais os três vinculados ainda à comunicação?
-O ano passado publicou-se a edição facsimilar de toda a colecção da Voz de Vilalba (1983-1986), numa iniciativa conjunta da Universidad Rey Juan Carlos de Madrid (URJC) e do Instituto de Estudos Chairegos (IESCHA) de Vilalba. Mas desde já há algum tempo levávamos dando-lhe voltas à necessidade de fazer algo coincidindo com o 25 aniversário da publicação, e decidimos que uma web poderia ser boa ideia, entre outras coisas, pelo simbolismo que representa o facto de que A Voz de Vilalba –em 1983– imprimíase numa velha multicopista, daquelas conhecidas como vietnamitas, que se empregavam na clandestinidade durante o franquismo; o contrapunto no tempo está no emprego actual das novas tecnologias e as possibilidades que oferece Internet, se tivéssemos estes meios daquela fá-mos-ia maravilhas. O outro motivo que nos impulsionou a tirar este projecto agora é o centenário dele Eco de Villalba, jornal fundado em 1908 por Manuel Mato Vizoso e José Novo Pardo, do que precisamente o IESCHA está a preparar uma edição facsimilar. Vilalba sempre teve uma grande tradição jornalística, a prova é que ao longo do primeiro terço do século XX -entre 1908 e 1932- surgiram 18 cabeceiras.
Sempre dizemos que a experiência da Voz de Vilalba marcou definitivamente as nossas vidas. Criou entre nós uma complicidade que se manteve com o tempo; em troques de falar, muitas vezes com uma simples olhadela de soslaio já sabemos o que pensa o outro. Seguimos a ser muito bons amigos e participamos uns nos projectos dos outros.
-Considerais que as vilas galegas em geral estão faltas de informação local? E de que tipo?
-As novas que mais interessam são as que afectam à nossa vida quotidiana (proximidade da informação). Nos últimos anos deram-se muitos passos que favorecem a informação local, fundamentalmente nos médios audiovisuais (rádio e TV); também através de projectos como o de Vilas Digitais e das páginas web das câmaras municipais, ainda que estas últimas estão mais orientadas ao turismo e a destacar a singularidade das comarcas desde uma visão basicamente costumista. Em geral, acho que se deita em falha imprensa local de qualidade e também imprensa local em Internet. Uma imprensa moderna, crítica (construtiva) e que ajude a melhorar a informação que recebem os cidadãos. Neste senso, consideramos que a nossa iniciativa é inovadora e pretendemos que seja o começo de um novo projecto, do que aguardamos receber colaboração, tanto da Administração Pública como de particulares.
-Poderia um jornal em linha sobre uma localidade em concreto acordar o interesse dos vizinhos pelas novas tecnologias? É este um dos vossos objectivos, normalizar o emprego dos novos canais?
-Projectos como Cidades Digitais são os que contribuem de verdade a achegar as novas tecnologias aos cidadãos; em concreto Vilalba e As Pontes integraram-se no mesmo através do programa Vilas Digitais. Somos conscientes que o uso de Internet na zona incrementou-se consideravelmente nos últimos três anos; por isso decidimos que estávamos no momento adequado, ademais de coincidir com o 25 aniversário da saída da Voz de Vilalba em formato papel e os 100 anos da fundação dele Eco de Villalba. Porem, podemos dizer que uma dos nossos intuitos é aportar o nosso grau de areia para favorecer a normalização dos novos canais na Terra Chá; mas também queremos exportar o produto como uma iniciativa inovadora, que sirva de exemplo a seguir noutras localidades galegas.
-Acho que a vossa ideia não é precisamente fazer o mesmo na Rede que fazíeis em papel. Sabemos que não é assim mas queremos que nos o contendes vós. Qual era a vossa ideia com a Internet entre mãos?
-A versão digital da Voz de Vilalba pretende ser uma plataforma para dar a conhecer a actualidade local na rede, um foro de opinião e uma janela aberta a todos os que queiram colaborar connosco na recuperação da nossa cultura e da nossa memória histórica.
A Voz sempre foi um médio pensado para todos os públicos. Já o mos dizia na nossa cabeceira em papel, "jornal ao serviço do povo". Empregando os termos de MacLuhan, pretendemos criar uma espécie de aldeia global".
-Que nos vai deparar A Voz de Vilalba no futuro? Para onde quereis chegar?
-Queremos ser um meio local de referência em Internet, um exemplo a seguir noutras localidades galegas. Apostamos liberdade de informação e opinião, que não é singelo num tempo no que a imprensa está muito mediatizada por interesses económicos e políticos. E para isso solicitamos a colaboração de todos.
-Falam-nos brevemente desse número em papel especial que tendes preparado atirar este ano. Seria um complemento à web, deitando mão dos contidos dela, ou seria independente?
-Será totalmente independente da web, um número especial conmemorativo. Sairá à rua no domingo 29 de Junho de 2008, a data exacta do 25 aniversário da Voz de Vilalba e nele terão cabida opiniões de conhecidos vilalbeses, informações sobre temas de actualidade, polémicas, reportagens e alguma que outra surpresa.

 

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